Maior evento da América Latina e terceiro maior do mundo na área de hematologia, hemoterapia,
 terapia celular e transplante de medula óssea, o Hemo 2019 reuniu especialistas para debater avanços
 nos diagnósticos e tratamentos de pacientes

 

São Paulo, novembro de 2019 – O Hemo 2019, Congresso Brasileiro de Hematologia, Hemoterapia e Terapia celular, reuniu no Rio de Janeiro diversos especialistas que debateram as pesquisas mais recentes, os tratamentos mais promissores e as drogas mais eficazes para o combate às doenças hematológicas, além dos principais avanços hemoterápicos. O evento que trouxe grandes especialistas e referências dos principais centros de pesquisa dos Estados Unidos, Canadá, Europa e Brasil.

 

Organizado pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), o congresso contou com o apoio da Astellas Farma Brasil, que também promoveu um simpósio com o tema “Desafios Diagnósticos na leucemia mieloide aguda”, com a participação de palestrantes nacionais e internacionais.

 

A leucemia mieloide aguda (LMA) é um tipo de câncer que pode acontecer em qualquer idade, mas as pessoas com mais de 65 anos são as que mais recebem o diagnóstico. Ela não é hereditária, mas ainda não se sabe o porquê de seu surgimento. Sua principal característica é a superprodução de células imaturas (que acabaram de nascer), também conhecidas por blastos (tipos de glóbulos brancos, responsáveis por combater as infecções).

 

Elas passam a se desenvolver de forma descontrolada e param de desempenhar sua função, a de proteger o organismo contra as bactérias, vírus. Em grande quantidade na medula óssea, bloqueiam a formação dos demais componentes do sangue (glóbulos vermelhos, responsáveis pela oxigenação do corpo, e plaquetas, que impedem as hemorragias). Por isso, sangramentos persistentes podem ser um sintoma comum

 

Uma característica da LMA é ter uma progressão rápida e bastante agressiva, entretanto, com sintomas que podem sugerir outras doenças. Isso faz com que o diagnóstico preciso e precoce seja essencial para o tratamento. “A porta de entrada dos pacientes é na maioria da vezes uma unidade básica (UBS) de saúde ou um pronto socorro, ou seja, nem sempre esses lugares estão preparados e equipados para diagnosticar a LMA. Uma UBS, por exemplo, não tem como fazer um hemograma, ela faz o pedido que leva em média 7 dias para se ter um resultado. Sete dias de tratamento fazem a diferença para quem tem LMA”, explica a médica Maria de Lourdes Chauffille.

 

Segundo ela, o cenário ideal de tratamento seria de início imediato após os primeiros sintomas, mas alguns pacientes não conseguem ter essa rapidez. “Há um estudo realizado pela Faculdade Paulista de Medicina que mostra que esse tempo pode variar de seis semanas a três meses. Com essa demora, quando o paciente começa o tratamento, seu quadro já é bem grave”, conta.

 

 

Até meados da década de 70, o diagnóstico de LMA era categórico em prever de 3 a 6 meses de vida para os pacientes. Da metade desse período para frente, surgiram tratamentos quimioterápicos que poderiam resultar na remissão do câncer. Mas foi na década de 80 que a associação com terapias alvo - medicamentos compostos por substâncias que foram desenvolvidas para identificar e atacar características específicas das células cancerígenas, bloqueando assim o crescimento e a disseminação do câncer – que os tratamentos mais eficazes apareceram.

 

De acordo com a médica, o transplante de medula é uma das alternativas na busca da cura ou remissão da LMA, mas nem todos pacientes estão aptos ao procedimento. “É necessária uma avaliação da doença e do paciente, porque o sucesso de um transplante depende muito das comorbidades que cada um traz durante a vida."

 

Outro fator complicador é que, na maioria dos casos, a LMA se manifesta em pacientes idosos. Para esses, o transplante de medula não se mostra tão eficiente. “São pacientes que já trazem uma bagagem como hipertensão, problemas renais e outras comorbidades. Além disso, em pessoas acima de 60 anos, a medula não tem mais a capacidade de se repovoar a partir de células tronco”, explica a médica.