A iniciativa Action on Fistula está aumentando a capacidade de tratamento e treinando cirurgiões para ajudar pacientes com fístula obstétrica.

 

Lançada em 2014, a iniciativa Action on Fistula da Fistula Foundation começou com o objetivo de transformar as vidas das mulheres no Quênia com fístula obstétrica, uma lesão causada por trabalho de parto prolongado. Com os recursos fornecidos pela Astellas Pharma Europe Ltd., o programa já tratou mais que o dobro do número de mulheres inicialmente estabelecido para receber a ajuda e entrou recentemente em sua segunda fase, com o objetivo de tratar 4.500 mulheres até 2020. A iniciativa Action on Fistula é o principal programa do Access Accelerated, uma colaboração de múltiplos grupos de interesse que tem como foco melhorar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças não transmissíveis, e que consiste de várias empresas farmacêuticas, incluindo a Astellas, além do Banco Mundial e da Union for International Cancer Control (União para o Controle Internacional do Câncer).

A Astellas conversou com Kate Grant, CEO da Fistula Foundation, para saber mais sobre a iniciativa Action on Fistula e sobre as mulheres que receberam ajuda do programa.

O que é a Action on Fistula e quais foram suas conquistas desde o lançamento?
A Fistula Foundation já transformou as vidas de mais de 1.200 mulheres no Quênia que vivem com fístula obstétrica, uma lesão que pode causar incontinência fecal e/ou urinária. Além da forte dor, um dos aspectos mais difíceis da fístula obstétrica é o estigma envolvido. Tragicamente, a mulher com fístula obstétrica é frequentemente rejeitada pelo marido e expulsa do convívio de sua aldeia e vive isolada.

Estamos muito satisfeitos com o sucesso sem precedentes do programa: mais de 2.500 mulheres com fístula obstétrica receberam cirurgia reconstrutiva que mudou sua vida, duplicando a capacidade de cirurgias de fístula no Quênia. Os recursos fornecidos pela Astellas permitem de fato transformar o cenário dessa lesão, construindo uma rede sólida para o tratamento de fístula obstétrica no Quênia, o que significa que mais mulheres receberão a cirurgia transformadora de vida de reparo de fístula.

Existem agora seis hospitais no Quênia que fornecem tratamento a mulheres com fístula durante os 12 meses do ano; vítimas de fístulas de 43 dos 47 condados do Quênia já receberam tratamento.

Por que a iniciativa Action on Fistula foi criada?

Existem cerca de um milhão de casos de fístula no mundo todo. Essa lesão ocorre com mais frequência em mulheres que vivem em países de baixa renda, que dão à luz sem ajuda médica. Muitas mulheres que desenvolvem fístula vivem em comunidades rurais e não estão cientes de que existe ajuda disponível ou não têm acesso ao tratamento.

No Quênia, a fístula é uma questão importante: o Fundo de População das Nações Unidas estima 3.000 novos casos de fístula a cada ano e apenas 7,5% das mulheres com fístula no Quênia têm acesso ao tratamento, criando até 30.000 casos sem tratamento.

A estratégia da Fistula Foundation é resolver esse problema criando uma capacidade nacional para reconhecer e tratar as mulheres, por meio de uma Rede Nacional de Tratamento de Fístula. Foi desenvolvido um plano abrangente para treinar mais cirurgiões para esse tipo de procedimento, ampliar o acesso aos serviços e construir um programa de assistência que educa as comunidades sobre a fístula, identifica e insere as pacientes para tratamento.

A fase II do Action on Fistula já começou – o que o futuro reserva para o programa?
A Fistula Foundation está muito animada com esta próxima fase do programa. Nos próximos três anos, o Action on Fistula vai usar toda a força da rede de tratamento de fístula que construímos, permitindo o tratamento de um número muito maior de mulheres para mudar o cenário desta lesão no Quênia e fornecer cirurgias para outras 2.000 mulheres.

Também vamos continuar expandindo a infraestrutura. Para isso, ampliaremos a rede para que ela tenha oito centros de tratamento e criaremos 20 grupos de apoio em todo o Quênia para fornecer assistência psicossocial, capacitação econômica e atividades geradoras de renda às pacientes em recuperação da cirurgia de fístula.

Além disso, treinaremos seis novos cirurgiões no Gynocare Women’s and Fistula Hospital, no Quênia, e 10 enfermeiras que ajudarão as mulheres durante o tratamento. Como pudemos certificar essa instalação como o primeiro e único hospital do Quênia reconhecido pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia como um centro de treinamento de cirurgiões de fístula, também temos a satisfação de poder oferecer oportunidades de treinamento a cirurgiões africanos e asiáticos de fora do Quênia. Isso ajudará a aumentar a capacidade de cirurgias na África Subsaariana e no Sudeste Asiático, garantindo que mais mulheres de mais localidades tenham acesso a cuidados de cirurgiões altamente treinados.

Destaque – mulheres que receberam tratamento de fístula obstétrica

Caso da Elizabeth
 Grávida aos 13 anos, Elizabeth passou dois dias em trabalho de parto antes de dar à luz, mas seu bebê nasceu morto. Ela desenvolveu fístula obstétrica, e passou duas décadas com vergonha e tristeza. Ela sofreu sozinha até saber que o tratamento estava disponível pelo programa Action on Fistula.

  “Dias, semanas, meses e anos se passaram sem qualquer sinal de que as coisas voltariam ao normal novamente. Eu fiquei confusa. Meus sonhos de voltar para a escola foram destruídos completamente, e eu me senti no escuro por causa da minha condição, porque eu não sabia o que estava acontecendo.”

  “Eu não conseguia mais sair e me socializar. Eu era o assunto da nossa aldeia, eu tentei me casar, mas nunca deu certo, porque o pretendente logo sabia sobre a minha condição. Então eles me deixavam e eu nunca mais os vi.”

 “Eu tinha perdido a esperança até ouvir um anúncio no rádio sobre o tratamento de fístula”, disse Elizabeth.

 


Caso da Evelyn
Depois de uma gravidez saudável, Evelyn passou 24 horas em trabalho de parto e depois foi encaminhada para uma unidade para cirurgia cesariana. Infelizmente, Evelyn perdeu o bebê e sofreu uma fístula obstétrica, suportando três meses de dor, vergonha e isolamento, antes de finalmente ser tratada pelo programa Action on Fistula.

“Foi muito doloroso sair do hospital com as poucas roupas que eu havia comprado para o meu bebê. Foi doloroso passar pelos portões sem o meu bebê, o que piorou com minha incontinência. Eu passei de uma vida de dignidade para uma vida de vergonha.”

“Os três meses que vivi com fístula pareceram três décadas. Eu serei eternamente grata ao programa Action on Fistula pela nova vida que me deu. Agora posso voltar a ser uma mulher novamente para o meu marido.”

 

 

Caso da Betty
Betty teve que suportar o trauma de perder seu bebê ao nascer depois de uma semana de trabalho de parto doloroso. Então, depois que ela notou o corrimento de urina, os médicos descobriram que ela tinha fístula obstétrica. Esta condição deixou Betty isolada e tornou-se um fardo para ela. Porém, após a cirurgia corretiva realizada pelo programa Action on Fistula, Betty agora tem esperanças de restaurar sua dignidade e qualidade de vida.

“Minha mãe achou que era um alarme falso, que não era trabalho de parto, mas eu senti dores constantes por uma semana. Quando percebemos que algo estava errado, procuramos ajuda, mas já era tarde demais. Os médicos me disseram que meu bebê estava morto.”

“Essa cirurgia ajudou a trazer minha dignidade de volta e acabar com uma vida de isolamento. Agora posso ajudar a minha mãe e já não me sinto como um fardo.”